o livro
“O que estou te contando é uma história de sobrevivência. É importante que você saiba disso, que não posso ser derrotada, porque às vezes sinto que você está me testando.”
A mulher que nos conta essa história não revela seu nome, mas compartilha detalhes de sua intimidade com uma franqueza desconcertante. Palestina recém-chegada a Nova York, perdeu os pais na infância e herdou uma fortuna da qual recebe apenas uma mesada, enquanto o irmão controla o patrimônio. Tem roupas impecáveis, opiniões polêmicas e uma atenção extraordinária à sujeira. Em seu apartamento no Brooklyn, dedica horas à limpeza da casa e do corpo. Há, porém, um ponto nas costas que suas mãos não alcançam — e uma moeda engolida quando criança que, acredita, continua dentro dela.
Foi Sasha, seu namorado, quem a ajudou a conseguir emprego numa escola para meninos de famílias de baixa renda. Afetuoso e disponível, ele oferece uma segurança que ela aceita com impaciência: deseja companhia, mas desconfia de tudo que possa torná-la dependente. Na escola, encontra outra espécie de vínculo. Apega-se aos alunos, acompanha suas dificuldades e inventa atividades que misturam liberdade, provocação e ensinamentos um tanto fora do habitual. Sua ternura é inseparável da vontade de interferir na vida dos meninos, nem sempre com o discernimento que atribui a si mesma.
A rotina muda quando conhece Trench Coat, um homem sem endereço fixo, de modos refinados e talento para circular entre os ricos. Juntos, viajam a Paris para participar de um esquema de revenda de bolsas da marca Hermès. O absurdo das lojas de luxo ecoa o que ela já observa nos Estados Unidos: a promessa de liberdade submetida ao dinheiro, a obsessão pelo sucesso e uma indiferença à miséria que convive tranquilamente com o discurso das oportunidades. Não há sonho americano. Com humor mordaz, Yasmin Zaher expõe um mundo que definha nas grandes metrópoles, cada vez mais longe da natureza e daquilo que nos torna humanos.
A autora conduz essa história em capítulos breves, com frases diretas, humor e comparações que tornam estranho o que antes era familiar. A voz da narradora nos envolve numa conversa: ela imagina objeções, responde a perguntas que não ouvimos, oferece confidências e exige compreensão. Desagradável e ao mesmo tempo fascinante, nos faz rir de seus exageros antes de revelar a solidão que os acompanha.
A moeda dialoga com A paixão segundo G.H., de Clarice Lispector, inspiração declarada da autora, especialmente na atenção à matéria da vida e aos mistérios do corpo. A Palestina reaparece nas lembranças e nas sensações, atravessando a vida que essa mulher tenta construir longe de casa. Sua história de sobrevivência é também a busca por uma maneira de habitar o próprio corpo e de encontrar espaço para o prazer.
Sobre a Autora
Yasmin Zaher é escritora e jornalista palestina, nascida em Jerusalém em 1991. Formada em engenharia biomédica pela Universidade Yale e em escrita criativa pela New School, estreou na ficção com A moeda (2024), selecionado com um dos melhores livros do ano pelos editores do The New York Times Book Review, vencedor do prêmio Dylan Thomas de 2025 e finalista do Gotham Book Prize no mesmo ano.ficha técnica
ISBN
978-65-5590-052-1
Número de páginas
304
Peso unitário
500 g
Dimensões
14.0 cm • 21.0 cm • 2.2 cm
Tradução
Isadora Sinay
Coordenação Editorial
Raquel Toledo
Assistência Editorial
João Gabriel Telles
Preparação
Erika Nogueira Vieira
Projeto Gráfico
Marina Mas
Capa
Jaya Micceli
Encadernação
Brochura
Nº Edição
1a. edição
