o livro
[...] A montagem da antologia talvez construa a seu modo a série O romance dos massacres [1974], reconfigurando um procedimento caro a Pasolini, o qual “articula fatos mesmos distantes, que reúne os cacos desorganizados e fragmentários de todo um quadro político coerente.” Ou como lemos no poema Balada das mães: “Eu sou uma força do Passado.”
Jon Halliday, durante uma entrevista com Pasolini, feita em Roma, em 1968, relembra a crítica de Franco Fortini, que via na poesia de Pasolini uma relação entre a potência da poesia moderna e o conteúdo ideológico que pode ser entendido como já dado, e aquela de Alberto Asor Rosa, que via em sua poesia uma fórmula caracterizada por uma nova ideologia que se enxerta em formas tradicionais. Por fim, pergunta ao escritor: “Por qual motivo expressaram opiniões tão contraditórias, segundo você?”.
Pasolini transforma a contradição em ambivalência. Diz ele: “Para mim, ambos têm e não têm razão. Todos os dois são justificáveis. Eu não sou um inventor de ideologias. Não sou um pensador e jamais aspirei sê-lo. Às vezes, dentro de um contexto de uma ideologia me surge alguma intuição, e assim me ocorreu de preceder os ideólogos de profissão. E estilisticamente sou um pasticheur. Uso o material estilístico mais disparatado: poesia dialetal, poesia decadente, certas tentativas de poesia socialista.”
O complemento de sua resposta traz algo que desarticula qualquer leitura formalista acerca de sua poesia: “Aquilo que conta é o grau de violência e de intensidade, e isso investe tanto a forma quanto os estilos, e também a ideologia. O que conta é a profundidade do sentimento, a paixão que ponho nas coisas; não sou, portanto, nem a novidade dos conteúdos, nem a novidade da forma.”
Davi Pessoa, Antologia reúne poemas de Pier Paolo Pasolini, crítica à primeira edição deste livro em O Globo, out. 2015.
Sobre o Autor
Pier Paolo Pasolini (1922-1975), um dos cineastas mais famosos e controversos da Itália, também foi romancista, dramaturgo e poeta. Nascido em Bolonha numa família de pai militar que se mudava com frequência, começou a escrever poesia aos sete anos de idade, frequentou a Universidade de Bolonha e acabou sendo convocado para servir como soldado na Segunda Guerra Mundial, mas fugiu para a pequena cidade de Casarsa, onde viveu por anos. Seu primeiro livro, Poesie a Casarsa, publicado em 1942, foi escrito em friulano, dialeto de sua mãe. Muitas das obras posteriores de Pasolini, para a tela e para o papel, reúnem diferentes ordens de experiência — popular, suburbana, bíblica — e propõem formas que abrangem temas proletários, culturas marginalizadas e utopismo socialista.ficha técnica
ISBN
978-65-5590-039-2
Número de páginas
320
Peso unitário
300 g
Dimensões
22.0 cm • 15.7 cm • 2.0 cm
Organização
Alfonso Berardinelli e Maurício Santana Dias
Posfácio
Maria Betânia Amoroso
Orelha
Davi Pessoa, Roberto Piva, Vinícius Nicastro Honesko, Fernando Bandini
Tradução
Maurício Santana Dias
Projeto Gráfico
Raul Loureiro
Idioma
Português
Encadernação
Brochura
Edição
2a. edição revisada
Lançamento
15 de junho de 2026
