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Se eu tiver que morrer

Se eu tiver que morrer

Poesia e prosa

Refaat Alareer

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Se eu tiver de morrer reúne, pela primeira vez em português, a obra de Refaat Alareer, poeta, professor e intelectual palestino cuja voz se tornou um dos mais poderosos símbolos da resistência cultural e humana diante da devastação em Gaza. Morto em um bombardeio israelense em dezembro de 2023, ao lado de parte de sua família, Alareer alcançou reconhecimento mundial quando o poema que dá título a este livro percorreu o mundo como um manifesto de esperança diante da violência. Esta edição apresenta esse texto marcante ao lado de poemas, ensaios e escritos inéditos que revelam a amplitude de seu pensamento e de sua sensibilidade.

Entre reflexões sobre literatura, ensino, política e vida cotidiana, Alareer narra a experiência concreta de existir em um território ocupado há mais de meio século. Das salas de aula onde ensinava Shakespeare às ruas de Gaza marcadas por sucessivos ataques militares, seus textos revelam a tragédia, a aflição e as perdas impostas à população palestina, sem jamais abandonar a defesa da dignidade, da solidariedade e da força transformadora da educação. Sua escrita combina lucidez crítica, lirismo e um profundo compromisso ético, fazendo da literatura um espaço de memória, resistência e esperança.

Com prefácio de Breno Altman, uma das vozes mais ativas no Brasil na mobilização da opinião pública em torno da questão palestina, Se eu tiver de morrer é um testemunho indispensável para compreender um conflito cuja origem remonta a décadas de ocupação, deslocamentos e violência, que precedem, em muito, os acontecimentos de 7 de outubro de 2023.

PRÉ-VENDA

Envio a partir de 21 de outubro de 2026

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o livro

Poucos meses antes do assassinato de Refaat Alareer, o ministro de Defesa israelense, Yoav Gallant, disse que Israel lutava contra "animais humanos"; já o ministro das Finanças do país, Bezalel Smotrich, declarou que o povo palestino é "inventado" — negando sua existência histórica, sua cultura milenar. Em outubro daquele mesmo ano, 2023, Benjamin Netanyahu citou o versículo bíblico sobre Amaleque, povo que Deus ordenou exterminar até o último: “homens e mulheres, crianças e bebês, bois e ovelhas, camelos e jumentos”.  

Por trás de todo genocídio sempre há um processo patológico de desumanização, transformando uma sociedade inteira, como a Palestina, em uma ameaça abstrata e irracional, como se movida por ódio e fanatismo: uma doença que deve ser eliminada, higienizada.

De acordo com relatórios de agências da ONU, mais de 50.000 crianças foram mortas ou gravemente feridas na Faixa de Gaza, desde 7 de outubro de 2023. Esses são números oficiais, mas, debaixo das cerca de 68 milhões de toneladas de escombros, o número chega a ser inimaginável.

Nem a retórica, tampouco as operações genocidárias e de limpeza étnica do regime sionista de Israel são novidades e é precisamente contra essas ações orquestradas de apagamento – físico e cultural -  que se insurgia Refaat Alareer. 

Depois que sua casa foi destruída, em 2014, Alareer procurou por trabalhos de seus estudantes entre os escombros. Ali estavam histórias que precisavam encontrar leitores, possibilidades de futuro que ele se empenhava em preservar. Esse foi o embrião da iniciativa We Are Not Numbers, da qual foi um dos fundadores. O nome — “Não somos números” — expressa uma convicção que permeou sua trajetória, encerrada precocemente e de forma covarde, após semanas de ameaças de morte recebidas online e por telefone de contas israelenses.

Nada do que ocorre e vem ocorrendo na Palestina há mais de 70 anos é silencioso — a não ser a indiferença dos que testemunham o genocídio e fingem não o ver, pois seus olhos são coniventes com a supremacia de quem o pratica. 

Abraham Joshua Heschel, rabino, filósofo e ativista nascido na Polônia e naturalizado americano, dizia que a indiferença ao mal é mais insidiosa do que o próprio mal. É uma justificação silenciosa que confere ao mal aceitabilidade na sociedade.

Refaat Alareer foi assassinado por Israel em Gaza, na Palestina, em 6 de dezembro de 2023. Tinha 44 anos. O bombardeio matou também seu irmão, sua irmã e quatro sobrinhos. Sua morte interrompeu uma vida dedicada à literatura, ao ensino e à defesa do direito dos palestinos de contar a própria história. Nas salas de aula, nos livros e nas intervenções públicas, Alareer trabalhou para que a experiência de sua gente fosse conhecida com a complexidade que os relatos sobre a Palestina tantas vezes lhe recusam.  

Este livro preserva, ao reunir diversos escritos publicados nos últimos anos, a voz e o testemunho de Refaat Alareer, para que sua vida não seja reduzida ao crime que a interrompeu — a um número.

Simone Cosac Naify na orelha do livro.

Sobre o Autor

Refaat Alareer, poeta, ensaísta e professor palestino, foi assassinado por Israel em Gaza, na Palestina, em 6 de dezembro de 2023. Tinha 44 anos. O bombardeio matou também seu irmão, sua irmã e quatro sobrinhos. Sua morte interrompeu uma vida dedicada à literatura, ao ensino e à defesa do direito dos palestinos de contar a própria história. Nas salas de aula, nos livros e nas intervenções públicas, Alareer trabalhou para que a experiência de sua gente fosse conhecida com a complexidade que os relatos sobre a Palestina tantas vezes lhe recusam.

Nascido em 1979, no bairro de Shujaiya, em Gaza, cresceu sob a ocupação israelense. Não à toa, diz em um de seus textos que em Gaza as pessoas contam a idade em quantidade de guerras vividas, não em anos passados. Foi com a avó que aprendeu a amar as histórias, antes de fazer da literatura seu ofício. Estudou em Gaza, concluiu o mestrado em Londres e o doutorado na Malásia. Desde 2007, ensinava literatura e escrita criativa na Universidade Islâmica de Gaza. Em suas aulas, Shakespeare, John Donne e Edgar Allan Poe conviviam com autores palestinos e, dessa forma, a leitura abria caminhos para interrogar o mundo e, ao estimular a produção escrita, permitia aos estudantes reconhecer na própria experiência uma matéria digna de ser narrada e ouvida.

ficha técnica

ISBN

978-65-5590-055-2

Número de páginas

264

Dimensões

13.5 cm • 20.0 cm • 2.0 cm

Organização

Yousef M. Aljamal

Tradução

André Capilé

Prefácio

Breno Altman

Introdução

Yousef M. Aljamal

Orelha

Simone Cosac Naify

Coordenação Editorial

Alberto Rangel

Edição

Raquel Toledo

Assistência Editorial

João Gabriel Telles

Preparação

Fábio Bonillo

Revisão

Huendel Viana

Projeto Gráfico

Flávia Castanheira

Idioma

Português (Brasil)

Encadernação

Brochura

Nº Edição

1a. edição